A Influência das Redes Sociais nas Decisões Financeiras

A Influência das Redes Sociais nas Decisões Financeiras

Vivemos em um momento histórico em que as redes sociais deixaram de ser apenas ferramentas de conexão para se tornarem fontes primordiais de informação sobre diversos assuntos, incluindo finanças pessoais. A amplitude desse fenômeno tem impactos profundos na maneira como indivíduos planejam gastos, investem recursos e sonham com o futuro.

Desde jovens que pesquisam dicas de investimento no YouTube até pessoas em busca de inspiração para compras no Instagram, a tomada de decisões financeiras está cada vez mais atrelada ao conteúdo que circula em plataformas digitais. Compreender essa dinâmica é essencial para extrair benefícios e evitar armadilhas.

A Penetração das Redes Sociais no Brasil e no Mundo

Em 2025, cerca de 86% da população brasileira está conectada às redes sociais, dedicando em média 48 horas mensais por visitante único às plataformas[10]. Globalmente, 72% dos internautas foram expostos a conteúdos sociais em abril de 2025[8]. No Brasil, 144 milhões de pessoas mantinham contas ativas no início de 2024[3].

Esse cenário revela uma presença massiva e constante das redes sociais na rotina de variados grupos demográficos. A frequência elevada de acesso cria um ambiente propício para influenciar hábitos de consumo e modelos de investimento.

A Influência nas Decisões de Investimento

O comportamento de novos investidores tem se moldado em grande parte pela atuação de criadores de conteúdo e influenciadores especializados. Segundo dados, 75% das pessoas que realizam seus primeiros investimentos seguem orientações de influenciadores do nicho[3]. Além disso, 47% dos investidores brasileiros utilizam aplicativos de bancos como principal canal de investimento[1].

  • 75% dos iniciantes seguem dicas de influenciadores
  • 47% usam apps de bancos para investir
  • 54% dos jovens entre 18 e 24 anos consultam redes sociais
  • 43% já compraram algo por indicação de influenciador

Para a faixa etária de 18 a 24 anos, o YouTube e o Instagram figuram como principais fontes de informação financeira[1]. Esse público, motivado pela busca de conteúdo personalizado e ágil, tende a diversificar suas estratégias de investimento ao combinar vídeos, posts e transmissões ao vivo.

Investimentos Publicitários em Mídias Sociais

O mercado publicitário digital continua em franca expansão. Em 2025, o investimento global em mídias digitais deve ultrapassar US$ 1,17 trilhão, sendo que US$ 276,7 bilhões serão destinados exclusivamente a anúncios em redes sociais[2][4]. Esses números representam 40,6% do total investido em publicidade digital no mundo[2].

  • Instagram registrou aumento de 18,8% nos investimentos em 2025[2]
  • TikTok apresentou crescimento de 56,8% no mesmo período[2]
  • 43% dos profissionais planejam alocar mais recursos no Instagram[6]
  • O marketing de influenciadores globalmente atinge US$ 32 bilhões em 2025[12]

Formados por vídeos curtos, transmissões ao vivo e postagens interativas, formatos como Reels do Instagram cresceram 49% no Brasil entre 2023 e 2024, enquanto o volume de vídeos no TikTok subiu 27% nos cinco primeiros meses de 2025[8].

Impactos Positivos e Negativos

Entre os aspectos positivos, as redes sociais democratizam o acesso a informações complexas de finanças. Conteúdos claros e didáticos podem ser o pontapé inicial para quem nunca considerou investir fora do Brasil, democratizam informações financeiras e estimulam práticas de educação financeira.

Por outro lado, nem todo conteúdo tem qualidade ou objetividade. Cerca de 56% dos materiais em finanças nas redes sociais são considerados prejudiciais à saúde financeira dos usuários, e 23% das pessoas relatam que as plataformas as incentivam a adotar mau comportamento financeiro[3].

A constante exposição a estilos de vida idealizados pode gerar comparações negativas e decisões impulsivas. Muitos usuários priorizam a aparência de sucesso imediata, comprando produtos por impulso ou aplicando recursos sem análise adequada.

Recomendações para Consumo Responsável

Para aproveitar ao máximo os benefícios e mitigar riscos, é fundamental adotar práticas de consumo de conteúdo crítico. Avaliar a qualidade da informação e confrontá-la com fontes oficiais poupa desgastes financeiros e emocionais.

  • Analisar as informações e adaptá-las à sua realidade
  • Estabelecer metas financeiras pessoais concretas
  • Buscar fontes confiáveis, como influenciadores certificados
  • Acompanhar perfis que tenham sólida reputação

Dados mostram que indivíduos bem informados conseguem economizar até 20% mais do que aqueles sem educação financeira adequada[7]. Portanto, consumir conteúdo de forma estruturada pode resultar em ganhos tangíveis no orçamento.

Contexto Econômico e Tendências Futuras

O fenômeno denominado “pre-tarifa” em 2025, no qual empresas anteciparam compras antes de possíveis impostos, elevou gastos com publicidade em redes sociais como Instagram e TikTok[2]. Essa estratégia visou fidelizar clientes antes de eventuais mudanças tributárias que reduziriam o poder de compra.

Apesar de incertezas macroeconômicas, o mercado de publicidade digital deve dobrar seu valor nominal até 2027, consolidando as plataformas digitais como força dominante na comunicação comercial global[2].

Em um contexto onde gerações Z e Millennials reconhecem o impacto das redes sociais em suas finanças e investimentos, torna-se imperativo desenvolver um olhar crítico e consciente. Se, por um lado, smartphones e telas aproximam educação financeira e oportunidades, por outro exigem do usuário postura reflexiva para filtrar o que consome.

Conviva com as redes sociais de modo equilibrado, extraia conhecimento de forma seletiva e garanta que cada investimento ou compra seja fruto de análise consistente. Assim, será possível transformar a poderosa influência digital em um caminho para a segurança e liberdade financeira.

Referências

Yago Dias

Sobre o Autor: Yago Dias

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